sexta-feira, 18 de junho de 2010

SARAMAGASTE?



EU SARAMAGO
TU SARAMAGAS
ELE SARAMAGA
NÓS SARAMAGAMOS
VÓS SARAMAGAIS
ELES SARAMAGAM

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Livros... melhor não tê-los!

Hoje eu fiz uma doação de livros.
Não é a primeira vez que faço isso, já que, depois de muita convivência com eles, cheguei à conclusão de livros procriam.
Sim: um belo dia, você olha sua estante e vê que aquele lindo exemplarzinho está acompanhado de uma exemplarzinha. É dito e feito: quando você se dá conta, a estante já está tomada.
Então, de tempos em tempos, eu despacho todo mundo. Dou alguns para pessoas que sei que vão usar, outros dou lá no sebo e ganho uns trocados, outros vão para reciclagem.
Mas esta última leva foi diferente.
Nela estavam meus companheiros antigos: sabe aquelas edições Bom Livro, da Ática, já meio carcomidas de tanto uso. Pois é. Foram embora. Foram-se Iracema, um monte de Machados, uma coleção inteirinha de Romantismo e Realismo e - pasmem! - um bocado de Modernistas. Sim, tive a audácia de despachar um Andrade atrás do outro. Até Vinicius.
Tudo bem que deixei na biblioteca municipal, com a recomendação expressa de que o que eu deixava ali era muito importante, e que pedia apenas para que guardassem para mim aquelas cinco caixas pesadas. Delas saíam as cabeças de vários livros e não minto que cheguei a pensar em catar alguns e trazer de volta.
Acho que hoje fiz uma coisa importante. Parece que passei uma régua numa fase da vida quando me separei daqueles livros. É claro que deixá-los lá foi simplesmente ficar livre de um peso. O que deles é importante está aqui dentro e não sai nunca.
Mas me deu uma certa dor no coração. Mas tinha de ser feito. Se livros têm vida, como acredito que tenham, também devem circular...
E espaço na estante é tudo de bom.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O espírito do Espiritismo

Depois do sucesso do filme de Bezerra de Menezes, agora é a vida de Chico Xavier que está sendo levada ao cinema. E a coisa não para por aí: a obra Nosso Lar, que conta a vida depois da morte do espírito de André Luís, vai virar superprodução. (E já tem até novelinha da Globo pegando carona na onda.)
Em decorrência disso, o assunto tem surgido aqui e ali. Ouço comentários, leio posts, assisto a vídeos e programas televisivos sobre o Espiritismo.
Hoje eu gostaria de comentar um pouco o assunto.
Já li o Evangelho Segundo Espiritismo, O Livro dos Espíritos e Nosso Lar. Assisti aos dois filmes que mencionei no início. Também já frequentei alguns centros espíritas, embora sem uma continuidade ou um trabalho mais efetivo. Fui como "ouvinte". Já recorri a espíritas experientes, que me ajudaram em momentos difíceis, e faço o evangelho no lar semanalmente.
Algumas pessoas me perguntam se sou espírita, mas me sinto um pouco desconfortável em dizer que sim. Não tenho medo nem preconceito. Apenas acho que ser espírita não é somente ciscar o assunto, ler um livro ou xeretar fenômenos. O "espírito do Espiritismo" extrapola muito tudo isso e, antes de se dizer espírita, sinto que preciso ser mais do que um curioso.
É neste ponto que gostaria de tocar.
Primeiro, preciso expor como vejo alguns assuntos relacionados ao mundo do Espiritismo.
Para começo de conversa, não gosto do nome "Espiritismo". Essa palavra está muito associada ao termo "espírito" e aí reside um dos grandes problemas do código de Kardec.
Muitas pessoas ligam-se ao Espiritismo atraídas pelos fenômenos. De fato, eles são impressionantes. A possibilidade de conversar ou manter um contato com uma pessoa que está morta é fascinante, mexe com valores e emoções que não conseguimos gerenciar racionalmente. É um misto de medo, atração e emotividade que ofusca nossa mente. A experiência extrassensorial é avassaladora, invade todos os cantos obscuros da pessoa que somos e nos coloca abertos. A própria codificação kardecisca explica que isso é necessário como uma espécie de "chamariz" - e cumpre seu papel.
O problema acontece, porém, quando vemos que muitas pessoas acreditam que ser espírita realmente se restrige a isso.
E não é.
O Espiritismo é uma religião e, como tal, tem uma codificação. E essa moral tem sido relegada a segundo plano em favor dos fenômenos.
Eu tenho bronca disso, porque é como se comer a embalagem e se jogar fora o alimento.
A codificação do Espiritismo é a essência, a razão de ser de todo o resto. E mais: é belíssima, consoladora e coloca em outros patamares a vivência de qualquer pessoa.
Alguns conceitos são extremamente simples - como deve ser toda codificação religiosa - e, ainda assim, de um significado tão profundo, que não se escapa ileso dele.
Dentro da moral espírita, por exemplo, não se aceitam mistérios.
Isso é de um valor e uma de honestidade que nunca vi em qualquer outro lugar. Não existem grandes detentores de grandes e ocultas verdades, escondidas atrás de símbolos e códigos, mistificados em seitas ocultas. Tudo o que deve ser dito assim o é. De modo simples, claro e passível de compreensão por qualquer pessoa. O que vem em invólucro místico não é Espiritismo.
Também dentro da moral espírita existe um princípio muito importante: ninguém além de você controla sua vida. Se um bem é feito, ele provoca bem-estar. Se uma pessoa age de modo a provocar maldades, isso cria problemas para ela. Usando um exemplo do próprio Livro dos Espíritos, nas minhas palavras, se a baixela de porcelana da família quebrou na sua mão, isso não foi por causa de um mau espírito, mas foi sua falta de jeito.
Isso é uma ideia simples, mas muito significativa.
Uma pessoa que leva uma vida baseada em bons princípios, vive melhor do que aquela pessoa que se entrega ao crime, por exemplo. Por isso, fazer o bem, em qualquer circustância, é o certo.
Disso vem uma verdadeira obsessão do Espiritismo, que é a caridade.
A máxima de que "sem caridade não há salvação" é um bordão espírita. Quando vejo uma grande tragédia - como temos tanto visto, por aí - fica evidente o sentido disso.
A palavra "salvação", a meu ver, não tem o sentido católico de "salvar a alma", mas o sentido bem terreno de "salvar a própria pele".
Dependemos da caridade dos outros todos os dias e fazemos essa mesma caridade quando somos solicitados. Isso nos faz bem e ponto final. É a cesta básica que doamos, mas também aquele sorriso, o momento de paciência com uma pessoa perturbada. Isso salva nosso momento, salva nosso dia - essa caridade é a nossa salvação. Sem as pequenas e grandes caridades, nossa vida, esta mesma,  não tem jeito. Às vezes temos dias horríveis - somos ignorados, xingados, passamos por humilhações ou estresse físico, mental, moral e psicológico... e quanto valor, quanta luz nos joga nesse dia um gesto despretensioso de bondade de alguém - uma mão que pega um objeto derrubado no chão, e que vem com um sorriso; um bebê que nos dá uma risadona, uma carona numa sombrinha... É o que chegamos em casa contando. É a caridade sem a qual não nos salvamos.
E nossa caridade parece que nunca pareceu tão solicitada quando ultimamente...
Muito se fala também sobre a questão espírita de se cumprir, na Terra, um desígnio iniciado em uma vida passada - interpretado por algumas pessoas como se fosse uma dívida, ou um acerto de contas, com fatos que não estão hoje ao nosso alcance.
Sobre isso, a codificação espírita é curta e grossa: se você está aqui, hoje, tente acertar mais do que errar. Tente evoluir como pessoa nesta sua vida. Vou repetir: você está aqui para acertar mais do que errar - e nesta vida. O seu passado só terá sentido, ou o seu futuro só será melhor, se você, hoje, aqui, conseguir fazer alguma coisa decente. Em palavras mais simples: não importam suas encarnações passadas ou o que vai acontecer quando você morrer: importa o aqui e agora. Importa ser um ser humano melhor na quarta-feira do que aquele que você foi na terça. O restante é consequência.
Até aqui, como dá para perceber, não falei em fenômenos.
Aí é o ponto sobre o qual eu baseio meu pensamento sobre o assunto: os princípios espíritas são universais, portanto não dependem de fenômenos.
Não importa se o que está no Livro dos Espíritos foi ditado por um espírito mesmo ou por uma outra pessoa qualquer. Não importa se temos vidas passadas ou se teremos vida após a morte. Não importa se Chico Xavier foi santo ou fraude
Se todos os espiritos silenciassem, se as ideias sobre vida anterior ou posterior a essa existência acabassem, se os médiuns não escrevessem mais nenhuma linha - ainda assim, a caridade continuaria sendo nossa salvação, nós estaríamos vivendo a consequência diária dos nossos atos e uma religião que deixasse clara sua mensagem seria melhor do que qualquer outra.
Por isso, quando me indagam se sou espírita, realmente não consigo dizer que totalmente - porque, com toda a sinceridade, os fenômenos, a meu ver, dão bons filmes, boas novela, boas vendas de livros... e o modo como têm sido tratados está distanciando as pessoas da essência da mensagem.
E quantas são as mensagens! Profusões delas!
Não digo que devam ser desconsideradas, mas... será que há tanto o que se dizer que os conceitos básicos do Espiritismo não o façam?
Que consolo maior tem uma pessoa que perde um ente querido que o de saber que, em vida, fez-se a essa pessoa toda a caridade, a bondade que poderia ser feita?
Não seria mais relevante ensinar a ser caridoso nesta vida do que psicografar uma mensagem após a morte?
Que obsessão é essa pela volta de Chico Xavier... essa história de "assinatura secreta"? Isso tem lugar no Espiritismo? Código secreto... no Espiritismo?!  Por que o mensageiro tem sido mais importante que a mensagem?
Percebo que muitas pessoas têm um desejo firme de se manifestar espírita, assim como eu, mas têm sido inibidas por um sem-número de discussões que desviam o que, em essência, vimos buscar.
Não foi somente uma vez que presenciei pessoas que, após tomarem contato com o Espiritismo auto-denominaram-se "espíritos superiores" - e agem em relação aos outros - nós, os "espíritos inferiores"- com mal disfarçada soberba.
No meu entender, os espíritos mais evoluídos que estão entre nós, assim o são porque já cumpriram, com dor, resignação e dificuldades, as provas para se tornarem melhores. São nossas referências - as provas concretas de que a opção pelo bem é possível, real e exequível no mundo de hoje. São humildes por natureza, pois sabem a dimensão do papel que cumprem- da pesada carga que levam. E muitos deles nem estão num centro espírita...
Era isso o que eu gostaria de dizer.
Tenho certeza de que cometi muitos erros - e talvez injustiças.
O que escrevi não foi "ditado" por nenhum espírito - saiu da minha percepção de pessoa concreta, que busca um caminho para melhorar - e da indubitável crença de que a essência do Espiritismo é o caminho  - mas que se faz necessário um resgate dessa essência.
Estamos vivendo um momento em que essa oportunidade está tão visível em nossas mãos que seria imperdoável deixá-lo passar em brancas nuvens.
Acredito que tem chegado a hora de o Espiritismo mostrar a que veio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

UM BEIJO!

Ando meio desblogada ultimamente. Acho que é uma crise de falta de assunto.
E para provar que a coisa é grave, vou fazer um homenagem ao dia do beijo recortando um monte de fotos do Google imagens e colocando aqui. Lá vão:

quarta-feira, 24 de março de 2010

Meritocracia e outros

Já tive um blog sobre educação, mas acho que a gente acaba se perdendo em bobagens quando se propõe a falar sobre esse assunto - embora eu tenha de admitir que a concorrência é difícil, com tanto profissional fazendo o mesmo por aí.
Mas hoje vou abrir uma exceção, pois o assunto merece.
Confesso, na minha ignorância sem fim, que a palavra "meritocracia" só começou a fazer sentido para mim depois que o assunto começou a me afetar diretamente. No dicionário, está assim:

Me.ri.to.cra.ci.a

sf.
1. Governo das pessoas mais competentes, dedicadas e trabalhadoras.
2. Sistema de seleção ou de promoção baseado nos méritos pessoais.
[F.: mérito + -cracia.]

Na prática da educação de São Paulo, acabou se transformando no modo como vai ser feito o aumento de salário dos professores. De maneira simples, vai ser assim: será feita uma prova e uma análise, segundo vários critérios, do histórico profissional do professor. Aqueles que obtiverem melhor resultado, serão premiados com 25% de aumento.
Não teria nenhum problema se esse contingente de premiados não fosse restrito a 20%.
Apenas 20% dos professores terão aumento...
Acho que não preciso falar mais nada.
Sou um pessoa esforçada. Corro atrás das coisas. Nada me caiu aos pés de graça, eu não sei o que é isso.  Fiz uma faculdade pública de excelência e faço sempre o que julgo o melhor para meus alunos. Tenho um bocado de experiência.
Infelizmente, porém, não tenho o mérito que o governo exige.
Estou lá no enorme balaio dos 80% dos professores que ficarão sem ter aumento e que estarão em sala de aula se perspectiva nenhuma.
É uma pena.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

VIP por uma noite!

Com o maridão fazendo cobertura carnavalesca, ganhei fotinhas que pedi!!!hehehehehehehehe

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Livros feridos


O TCM vai reprisar o seriado Pássaros Feridos - aquela história mais-do-que-clássica de um padre apaixonado.
Depois que li O crime do Padre Amaro, acho qualquer outra uma repetição sem fim.
Mas, com 15 anos, eu conseguia amar lovestórias mais do que hoje ainda. Na época, peguei o livro e li... mas bem na hora do vamos ver, (sabe quando você lê zilhões de páginas para poder chegar "naquela"?), pois bem: elas não estavam lá...
 Não sei se foram arrancadas ou foi um problema de edição... Ou talvez algum censor furioso tivesse arrancando as pobrezinhas. Nunca tive coragem de pegar o livro para poder relê-lo. Acho que algumas releituras acabam tendo o efeito de tirar a magia que o texto teve quando foi lido a primeira vez. Também pode ser que isso seja uma desculpa para uma preguiça daquelas.  Mas a opção é mesmo a primeira. Vou tentar ver o seriado. Pelo menos, pode ser que eu consiga assistir às páginas que não li...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fim de férias

Eu amo férias. Mas quando começa a durar muito, o dinheiro acaba e a gente começa a acompanhar muita tv... isso significa que já é hora de voltar a trabalhar.
Neste ano, novidade: escola nova!
Segunda-feira é tudo novo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

IN-SÔNIA



preciso fazer um poema
pra me ajudar a dormir
o problema é que estou sem tema
ou algo que me faça rir

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pérola Negra - samba lindo 2010

A Escola Pérola Negra vai fazer uma homenagem a Rolando Boldrin (homenagem merecida) e o samba é realmente deslumbrante.



VAMOS TIRAR O BRASIL DA GAVETA

Compositores: Carlinhos, Mydras, Bola, Michel e Regianno
Interprete: Douglinhas Aguiar

O céu clareou, a Vila chegou
Pérola Negra me abraçou
Ah, sou brasileiro com orgulho e muito amor
Abro a gaveta pra mostrar o meu valor

O sabiá cantou na aurora, trilha sonora
Neste cenário, sou canário cantador
Doce regato, cheiro de mato
Brasileira essência do interior
E assim eu vou, bordando a história desse meu país
Em cada canto uma raiz
Tantos causos pra contar
Parti com a esperança de um sonhador
Meu caminhar meu pai abençoou... Fé! Estrela guia
Cidade grande fez valer meu dia a dia

O toque da viola transborda emoção
Puxa o fole sanfoneiro, levanta a poeira do chão
Malandro sambista, no palco de artistas
Retrato em meu gigante coração

Linda colcha de retalhos colorida
Jóia rara é a cultura nacional
De um povo festeiro, de sangue guerreiro e original
Bandeira a tremular, mareja meu olhar
Repleto de paixão sou filho desse chão
Sentimento popular, salve a Seleção

No morro, no asfalto ou na favela
São cenas da minha vida nessa tela
Bom dia Brasil, é carnaval
Rolando num domingo especial

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Que saco!

Tem alguém aí interessado na vida do tal Sean Goldman?
Que assunto mala!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"I See you" - Avatar

O que faz um sonho ser bom????
Realizar um desejo? Contar uma história estranha? Não.
O que faz um sonho ser legal é a sensação que ele nos causa quando acordamos. É aquele sentimento de ter descido de uma nave e olhar para o lado, para a realidade, como se todos aqueles elementos tão familiares, do nosso cotidiano, é que fossem esquisitos demais.
Para mim, o charme de Avatar foi justamente esse. O filme, a despeito da falta de uma boa história, me lembrou As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, com Le Chateau des Pyrenees, de Magritte.
Bom, dizem os entendidos que os sonhos são em preto-e-branco...
Mas mesmo assim, quando são bons, saímos deles com o um sentimento de querer continuar a dormir e entrar no sonho de novo. Eu saí do cinema sem nenhuma dúvida: estou aguardando Avatar 2.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

FELIZ
NATAL!!!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Bomba-relógio

Futuros médicos têm recorde de erros em prova clínica

Futuros médicos avaliados pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) tiveram neste ano o pior desempenho nas questões de clínica médica desde 2005, quando a avaliação foi implantada. Essa área engloba procedimentos básicos e identificação e análise de sintomas.
O resultado mostra que, dos 621 estudantes do 6º ano (último da graduação) que fizeram a prova, 48,45% acertaram as perguntas sobre atendimento clínico. Em 2006, ano com maior margem de acerto, o índice foi de 60,82%. Realizado em duas fases, o exame não é obrigatório e não tem validade legal. Os resultados divulgados se referem à primeira etapa. Segundo o Cremesp, cerca de 2,6 mil estudantes de medicina se formam por ano no Estado.(...)
O presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, aponta pelo menos três fatores para a má qualificação dos estudantes. O primeiro é o boom de faculdades de medicina no País. Atualmente, 31 escolas médicas atuam em São Paulo. Outro fator é a falta de infraestrutura para receber os alunos, como prédios sem hospitais universitários. E o terceiro é a má qualificação dos professores. As informações são do Jornal da Tarde.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/16122009/25/manchetes-futuros-medicos-recorde-erros-prova.html



Sempre que escuto alguém falar sobre a derrocada do ensino no Estado de São Paulo, costumo repetir uma frase que já virou bordão: Vocês não sabem o que está para vir por aí quando essa criançada for trabalhar...

Pois bem. Acho que o futuro está chegando. Vi a notícia acima hoje de manhã no jornal e não me espantou o fato. Não sei o que será de nós daqui a alguns anos. Hoje eu fiz uma perguntinha básica na escola: se antes os alunos aprendiam e hoje não, o que será que aconteceu? Será que eles são menos inteligentes do que os pais ou a escola parou de ensinar?

Sim, a escola parou de ensinar. Não estou falando de métodos e modismos, nem mesmo de equipamentos. Como já disse outras vezes, quando o professor é bom e o aluno quer aprender, qualquer papel de propaganda jogado no portão é material de aula. O que está faltando é RIGOR.

Muitos "especialistas em educação" confundem (já pensou se esses especialistas tivessem que fazer uma prova, como os médicos fizeram...?) RIGOR com um tipo de ensino voltado para o autoritarismo - e começam a recitar ladainhas e mais ladainhas contra um demonizado "ensino tradicional" que em nada se relaciona com o assunto.

A educação pode ser moderna, tradicional, ligada ao nome X, Y ou Z - mas não pode abrir mão do RIGOR daquilo que faz.

Se isso não voltar a ser a base da educação, não se espantem com os profissionais do futuro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tem dia que é dia...




Ode à preguiça


Ó preguiça, pecado funesto
Que me abraça todo dia
Se não fosse tua presença
Quem me faria companhia?

Deitada comigo, toda torta
No sofá, na cama, na cadeira
Vendo filme velho na tv nova
Quer melhor...? ou de outra maneira...?

Ó preguiça, deusa injustiçada
culpada das coisas que eu até faria
quem me impediria tão perfeitamente
da limpeza, do estudo, da academia?

Olhos moles, corpo pesado
Sono gostoso em tarde comprida
Como resistir aos encantos
Dessa majestosa amiga?

Chuva na Língua

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

EU CONFESSO



SIM SIM SIM SIM....

EU CONFESSO...!

fui assistir Lua Nova...



Bom... para que não haja dúvidas de que prestei atenção em algo além do que aquelas 800 meninas (eu era a vovozinha no cinema) que gritavam na minha orelha estavam prestando, vai o comentário: os diálogos são muito pobres. Se não existisse as palavras "prometo" e "proteger", estaríamos diante de um cinema mudo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Distrito 9

No últimos dois domingos fomos ao cinema - o que é um verdadeiro evento, já que nem me lembro mais de quando tinha ido pela última vez.

Fico tentada a jogar a culpa no Rafael, que sempre tem que ser acordado por mim quando o filme acaba (réplica justa do referido: "acho teatro mais divertido e legal" - perdão concedido, com louvor, Mailóvi). Mas não é só culpa dele, não. Nos últimos tempos, procurava aqui e ali alguma coisa interessante para assistir e parece que nada me estimulava. Resolvi arriscar e já posso dizer que o resultado foi bom.

Distrito 9.
Pense assim: pegue uma favela no modelo das do Brasil, coloque um pouco de problemas africanos, aí despeje um monte de alienígenas do tipo fugido dos filmes dos anos 80. Triture tudo no liquidificador. Coloque uns narradores obscuros para contar a história.
Só com isso , sua massa ia ficar sensacional. Mas... ainda está faltando uma coisa: um herói. Ou melhor: um anti-herói!

Taí a cereja do filme!

Quando fui ver D9, eu sabia que encontraria um filme diferente, porque tamanha mistura de problemas sociais com alienígenas não poderia resultar em alguma coisa menos original.
Mas a bela surpresa foi realmente o protagonista do filme (Sharlto Copley), um ator que eu nunca vi nem-mais-gordo-nem-mais-magro e que, em minha opinião, roubou to-tal-men-te a cena.

Não houve favela nem alienígena que superasse o tal Wikus Van De Merwe!

O cara é um estúpido burocrata, casado com a filha de um dos donos da empresa, ou algo assim, que é responsável por controlar o Distrito 9. Acaba sendo laranja da empreitada da empresa que, na verdade, só quer desenvolver uma forma de usar as armas dos alienígenas.

No momento em que ele é "promovido" para controlar a operação de invasão do Distrito 9, onde estão confinados os aliens, o tal Wikus é atropelado pela supresa: como um idiota com eu é escolhido para uma responsabilidade dessas?
Ele não percebe a cilada em que está sendo metido. Aí é a cena-master #1 do filme: a cara de tolo-promovido que todos nós já vimos uma vez na vida nas empresas onde trabalhamos! Dá vontade de fazer um pôster! É uma ironia suprema!

E como todo laranja que se preze, abraça com fervor a causa. Arma uma operação de guerra para invadir a favela dos aliens e, favela invadida... cena-master n#2: ele bate nas portas dos barracos mostrando a ordem de despejo para os aliens - que deveriam "assinar" o papel, dando "ciência" naquilo.

Quase caí da cadeira porque não dava para rir por fora o quanto eu ria por dentro. Qualquer pessoa que viva num mundo burocrático como o nosso se sentiu como aquele alienígena. Essa foi de-mais!

Mas o melhor ainda nem tinha chegado: o tal Wikus acaba tendo contato com um líquido alien e começa a se transformar num deles. A contaminação era previsível: Wikus é desengonçado, tímido, age diante da câmera que o acompanha como ela fosse o verdadeiro alien, enrola microfone no crachá... e, claro, manuseia um artefato com líquido alienígena como se fosse o brinquedo de um filho. É quando se dá a "contaminação".

Durante a história, ele acaba se associando a um dos "camarões" para tentar reverter o processo de transformação do qual acabou sendo vítima. Preste atenção nisto: Wikus não se dá mal por causa do sogro-chefe-gente-boa, nem por causa de nenhum alienígena-favelado ou por qualquer outro ser deste ou de outro planeta.
Wikus é que se contamina!
É sua falta de jeito, ansiedade, sua pressa, a vontade de parecer "o cara" diante das câmeras. Ele consegue, assim como no filme, atingir aquele meio-termo perfeito entre o ódio que provoca seu comportamento puxa-saco, burocrático, acrítico e a ingenuidade que só os tolos de verdade conseguem ter. Da raiva de não conseguir ter raiva dele!

Fazia muito tempo que eu não via um anti-herói tão bem construído como ele. O filme vale por tudo, e principalmente pela mão certeira que fez este personagem.

sábado, 10 de outubro de 2009

Escavação

Hoje acordei com o Rafael cantando esta música, do Doobie Brothers. Bateu saudosismo, então aí vai:

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O que é comer bem?


Esses dias, depois de tanto ser metralhada com milhares de informações sobre nutrição, resolvi tentar saber o que é comer bem.
Acho que ultimamente as áreas ligadas à alimentação sofreram uma explosão enorme. A mídia deve colocar no ar um especialista por período do dia (manhã, tarde, noite), pelo menos, num chute baixo. Na Internet é impossível arriscar números. A todo momento escutamos que devemos comer isso, aquilo, assim e assado (cozido, de preferência).
Paralelamente, ou talvez pelo mesmo motivo, a cada dia surgem pesquisas novas mostrando para que servem determinados alimentos ou de que forma eles agem no nosso corpo.
O problema é que, com uma enxurrada tão grande de informações em constante transformação, tudo fica nebuloso e confuso...
Cada capa de revista traz um vilão ou um mocinho. A última capa da Veja foi sobre o açúcar. Aquelas frases do tipo "Pesquisas mostram que o alimento X faz isso..." acabaram se tornando tão exaustivas que sequer perguntamos que pesquisas são essas e de onde elas vêm.

Simplesmente incorporamos da frase aquilo que entendemos, e acabamos com conceitos enrijecidos. "O alimento X faz bem para o coração.", "A alimento Y diminui o colesterol ruim (essa história de colesterol bom e ruim tem um didatismo tão cômico, que parece coisa de desenho animado).
E não temos qualquer pudor em abandonar esse conceito em prol da próxima capa de revista!
Se o adoçante deve substituir o açúcar hoje, então vamos tomar adoçantes. Daí alguém ventila que o adoçante causa câncer - não tem problema! Encosta o "vidrinho de plástico" lá no fundo do armário e dá-lhe açúcar. Aí o açúcar não serve! O adoçante só causa câncer se ingerido em quantidades absurdas. Então pega o adoçante de novo...
Colocamos nossa "moralidade" em jogo. Mudamos de atitudes e de vilão sem que suba nem um rosadinho no rosto. Vale tudo para termos uma "alimentação saudável"!
O problema de tudo isso é que no vaivém dos vilões e dos mocinhos, parece que começamos a desenvolver uma certa neurose em relação à comida.
Não existe coisa mais bonita do que pessoas que se unem para se alimentar juntas. Isso faz parte da história do homem. Esse hábito de se sentar à mesa e fartar-se em companhia de pessoas amadas é inerente ao ser humano, um ato de confraternização, de alegria... e ultimamente - preste atenção! - sempre que há um grupo de pessoas se alimentando, alguém faz comentários do tipo: "Ah, essa linguiça é colesterol puro!", "Que light esse macarrão com molho, hein?"...
Aquele momento de confraternização se transformou num momento de culpas e desculpas. Não conseguimos mais nos alimentar sem que os "crimes à mesa" roubem a cena e se tornem o assunto da conversa (que estava tão boa).
É fato que o exagero é ruim e que existem formas melhores de se alimentar. Também não questiono uma vírgula o fato de que hoje estamos mais atentos à qualidade daquilo que comemos e mais orientados para isso. Os nutricionistas venceram, ainda bem!
Mas também não posso deixar de dizer que neurose nenhuma é boa. Que existem exageros e contradições nas "pesquisas que mostram" informações sobre alimentos. Que estamos cada vez mais cercados por um modelo de alimentação que, se corresponde a uma forma de saúde, por um lado, é extremamente irreal em muitos pontos da nossa vida urbanizada, industrializada e com horários malucos.
Numa dessas entrevistas de rua, uma repórter parou um rapaz no centro de São Paulo, naquela correria, e ele disse uma frase, todo afobado, que, para mim, resume esse contraste: "Cinco refeições saudáveis por dia é impossível".
Nosso mundo está impossível!
Quando comecei a ouvir falar da linhaça, fiquei curiosa com tantos milagres. Comecei a investigar e percebi que estava diante de um alimento único. Assim, concluí que deveria inseri-lo em minha alimentação.
Se eu soubesse da tragicomédia que ia começar, tinha fugido dela.
Primeiro, o grãozinho é caro. Mesmo assim, comprei e comecei a jogar no meu prato e ingeri-lo inteiro.
Mas descobri que assim não serve!
Para fazer efeito, a linhaça deve ser triturada. Então, ao invés de comprar o grão passei a comprar o pó.
Mas descobri que assim também não serve!
Para ser eficiente, a linhaça tem de ser triturada na hora em que vai ser consumida. Mas como triturar um alimento que parece um alpiste? Eu jogava no liquidificador e batia a seco. Sujava o copo inteiro, então eu "lavava" com o suco que ia beber mas, mesmo assim, boa parte ainda ficava inteira. Bater com o líquido dava um resultado parecido. Macerar servia? Pisar servia? Rezar servia? Aí a coisa começou a ficar cômica - uma vez, peguei um bocado daquilo e triturei na própria boca. Momentos inesquecíveis de vida de passarinho...
Aí finalmente descobri que eu não sirvo para a linhaça!
A novela do café não é diferente. Faz bem? Faz mal? E o ovo? Antes era um veneno e agora é uma alimento como outro qualquer.
A lista é longa e sempre acaba com a frase que mais parece de auto-ajuda: "Moderação é tudo. Nenhum exagero é saudável."
Acho que precisamos também melhorar o modo como as informações de nutrição têm aparecido na televisão, nas revistas e em outros meios de comunicação. Também temos de ficar mais atentos à estabilidade dessas informações antes de sua divulgação. Nutrição é saúde; modismos, não. Eles apenas acabam nos levando a trocar uma doença por outra.

Honduras, GPS e afins

Bom, preciso confessar uma coisa: eu não sei onde fica Honduras.
Perdão, perdão, perdão de joelhos vermelhos arrastando no chão!!!!! Mas eu não sei... se uma vaga idéia serve, eu ia chutar algo entre a América dos Ricos e a América Nossa; olhando o mapa no Google agora, até que eu não errei longe.
Mas isso não é desculpa: eu não sei onde fica Honduras...
Eu não sei se lá existem mais pobres do que ricos ou o contrário; também não tenho idéia se por lá existem "resorts" de mar azul ou montanhas cujos picos desaparecem nas nuvens.
Sei que nesse lugar-quase-não-lugar da minha mente, nosso Presidente arranjou um encrenca. Mais uma - é quase um exercício de um talento pessoal. Sabe quando se está numa festa e de repente tem alguém que assovia o riff de Sweet Child o'mine inteirinho? Ou que dobre o calcanhar ao contrário, vira a língua como uma canoa ou as pálpebras no avesso? Então... às vezes penso que é nesse espírito que acontecem as intervenções do Brasil em lugares como... Honduras.
Não estou desmerecendo o país. Não faria isso porque minha completa ignorância sobre Honduras não permitiria. Exigiria uma imaginação que eu não tenho.
E agora temos uma embaixada cercada por lá, um presidente-não-presidente de um lugar-não-lugar tentando se resolver via Lula...
Preciso de um GPS diferente.
Um GPS que me indique algo como: "para não falar essa bobagem, vire à direita na primeira porta e saia da sala"; ou: "Para compreender a política externa do Brasil de Lula, siga em frente até a próxima quadra e vire à esquerda no hospício".
Ou talvez esta: "Para não virar uma piada grosseira, siga até o final do corredor e se lance janela abaixo."

domingo, 27 de setembro de 2009

Marley e eles

Nesse meio-tempo-perdido, acabei de ler Marley e Eu (ainda não vi o filme). É claro que não vou falar mal do livro, porque corro o risco de ser o primeiro caso de expulsão Internet. Também não o faria. A história é ótima, delicia da primeira à última página e cumpre aquilo que promete.
Mas quando acabei de ler, fui à estante para pegar na mão um outro livro de cachorro que me encantou quando eu li - e por motivos opostos daqueles me fizeram gostar de Marley (aí está a graça da literatura). Falo de Caninos Brancos.
O livro foi escrito em 1910 por Jack London e conta a história de animal híbrido entre um lobo e um cachorro. Só por aí, já valeria ler o livro. Mas o que é interessante é que a história, apesar de seguir a mesma trajetória de Marley e Eu quando conta a inserção de um animal num meio humano, tem um enredo de ódio e sangue. O cenário é o Alaska do século XIX e as primeiras páginas do livro já começam com uma luta desesperada de alguns homens para tentar sobreviver no meio de uma selva de gelo e olhos de lobos que espreitam para devorá-los. Caninos Brancos sofre como o inferno na mão dos homens. Uma parte que, na minha leitura, foi mais marcante, narra o momento em que Caninos é usado como animal de luta. Gente... eu suava e tremia com o livro na mão!
É o tipo de cena que passa a anos-luz de distância da história de Marley. Um dono com a tolerância de John Grogan é algo digno do dinheiro que ele ganhou com a história do seu cachorro. As cenas descritas, mesmo as do desespero de Marley durante as tempestades, não chegam aos pés da dramaticidade e da crueza da narração de Jack London.
Nem era para ser...
Mas sobretudo, o que me chama a atenção quando se lê um livro sobre animais, como esses, é que eles falam, cada um à sua maneira, do homem que está por trás do bicho. Caninos acaba domesticado e feliz. Assim também é Marley. E acho que a graça dessas histórias é o conforto que a onipotência humana acaba conferindo àquilo que toca. No fundo, é disso que gostamos quando lemos histórias de cachorros.

Como eu ia dizendo...


De volta às blogagens... andei afastada de computador por algum tempo não sei por quê. Estava meio deprê. Acontece... Às vezes acho que sou lenta demais, demoro para escrever, uma idéia puxa outra e o que eu começo muitas vezes não é o que termina. Às vezes acabo de pensar e não acabei de escrever. Descoordenação. Os assuntos foram se acumulando e se perdendo por esses dias. Gostaria de ter a disciplina que algumas pessoas têm de andar com um caderninho no pescoço atado a uma minicaneta para ir anotando tudo. Não sou assim...

Mas agora estou de volta.

E como gosto de observar as coisas, não minto que me perco em alguns casos. Por exemplo: estava lá fazendo as unhas (mulheres, tsc, tsc, tsc) e me flagrei perdida diante de uma pergunta que sempre me deixa sem resposta: Que cor vai ser?

O que realmente me incomoda diante dessa pergunta é que quando se fala em cor, pensamos em algo como "vermelho", "rosa", "bege". Para as mais ousadas, um "roxo", "marrom" e por aí vai.

Mas nem tudo é tão simples assim no mundo das mulheres desavisadas como eu...

Porque para pintar as unhas, esses nomes de cores dizem muito pouco. As cores sempre são algo como "prazeres"..."inveja", "rio doce" (?), "sereia"...
E por aí vai: tutti Frutti, tafetá, cleópatra, inveja boa (esse é ótimo - da mesma família do pura luxúria e do toque de ira), salto alto, audrey...

Dessa forma, as entendidas sempre têm um diálogo mais ou menos assim com suas manicures:

- Que cor vai ser hoje, Patty?
- Ai, Lu, não sei... acho que quero um Arábia.
- Tá muito bonito, ainda mais se você colocar um tafetá por cima!
- Mas eu pensei num inveja boa...
- Vamos experimentar!

Para quem, como eu, ainda não evoluiu sequer para o nível 2, essa "complexidade" toda me deixa perdida. Mas tenho sorte, porque a moça do outro lado sempre interpreta minha cara de interrogação com uma dúvida diante de tantas opções. E me oferece o de sempre:

- Quer um renda hoje???

Quem sou eu para dizer que não!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ou isto ou aquilo

Acho que quem escreve poesia para criança é um ser abençoado por Deus. Tem que saber fazer, senão realmente não dá certo. Existem ótimos poetas que não conseguem achar o fio até a magia do universo infantil. Mas aqueles que acham, realmente fazem obras incríveis. Nessa lista, eu coloco Cecília Meireles. Tem um poeminha dela que, apesar de ter sido escrito num livro para crianças, consegue falar da dúvida de uma forma que não é só bonita e delicada, é também rara. O poema dá título à obra e se chama "Ou isto ou aquilo".
Segue:
Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor:
se é isto ou aquilo.
É tudo de bom...!
Eu quero aproveitar esse poema para colocar algumas coisas que andei pescando por aí. São versões diferentes de uma mesma música e acho que isso se encaixa no espírito do "ou isto ou aquilo". Às vezes acordo com vontade de ouvir uma música, aí vejo uma versão, vejo outra. O que fazer?

Ou a crueza de Bob Dylan:




Ou os cabelinhos-tigela dos Animals:




Ou os 70's do Creedence:



Ou o sex appeal do Marvin Gaye: (Esta versão ao vivo, com um pequeno diálogo-denúncia no início, é uma esnobação de charme):



Ou a leveza do Stevie Wonder:



Ou a elegância de Stevie Ray Vaughan:



Ou o calor do Santa Esmeralda:



Ou a deusa Nina Simone:



Difícil...!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A morte em Veneza e a gripe suína

Nesses dias de gripe suína e retorno às aulas, muitas coisas ruins têm acontecido. Tivemos, por exemplo, a notícia do falecimento do filho de uma professora, colega nossa. Estamos vivendo um momento de sustos. A doença e a morte parecem estar rondando nossos alunos, nossos amigos e cada um de nós. E tudo isso envolto numa névoa estranha. Um certo ar de "que é isso gente, já está acabando" e, ao mesmo tempo, notícias esparsas de um que saiu do hospital, um outro filho de professora que amanheceu com febre, um que espirra e silencia todos ao lado. Nunca vivi um ambiente assim em nenhum lugar. As nossas grávidas, todas cheias de novidades e barrigões, simplesmente desapareceram...
Eu me lembro de que quando eu era adolescente, simplesmente não conseguia pegar cedo no sono à noite - sempre fui meio coruja. Naquela época, ficava assistindo à tv de madrugada e passava o Cine Club. Foi assim que assisti ao filme A morte em Veneza pela primeira vez.
O mais engraçado foi que, quando fiz faculdade, acabei reencontrando essa obra no último ano do curso, num estudo do livro de Thomas Mann que baseou o filme.
O enredo é difícil de resumir - ou melhor, não se presta muito a isso, porque na verdade o que conta são os detalhes e a simbologia que T. Mann coloca na novela. Em linhas gerais, trata da história de um artista (Gustav von Aschenbach) que faz uma viagem a Veneza e, lá, acaba encontrando um jovem que sintetiza todo ideal de perfeição estética que o artista sempre imaginou - e que acaba por levá-lo a desenvolver um fascínio pela figura do menino.
As interpretações são muitas e são apaixonadas. Há os vêm do lado de cá e dizem que isso é a coisa mais gay do mundo; e há os que vêm do lado de lá e dizem que falar isso sobre a obra é comer a casca e jogar a fruta fora - e desandam a associar o texto à história da Alemanha contemporânea. Na minha modesta opinião, ignorar qualquer desses dois lados da obra é perder muito. A graça de uma visão do enredo é justamente a presença da outra. Fico com as duas.

Deixando essas digressões de lado, o que realmente assusta na obra é que a cidade de Veneza, para nós o símbolo do romantismo, com seus gondoleiros e canais, está sendo assolada por uma peste. O mal é ocultado pelas autoridades, que temem uma debanda dos turistas aristocratas numa cidade de veraneio. Mas o mal ronda a cidade, que a todo momento é desinfectada.
A Veneza que é mostrada é uma cidade que apodrece, com a água de seus canais repleta de doenças e morte.
Em meio a tudo isso, o deslumbramento de Aschenbach não consegue deixá-lo partir, embora ele consiga perceber cada vez mais a morte se espalhando pelos cantos da cidade. Os turistas não se dão conta - desfrutam praia e lazer, enquanto a peste se alastra de forma oculta.
Esses dias na escola, a sensação que tive foi exatamente assim. Um bando de crianças e também adultos vivendo despretensiosamente seu dia a dia, com o cheiro de álcool nas mãos e a conversa de corredores sobre um espirro, uma febre, uma morte...

sábado, 15 de agosto de 2009

Sobre Carlos Vereza

Tenho uma coisa que se assemelha a um "ataque interno de urticária" (arrepiem-se os manuais médicos) com bobagens que dizem por aí.
Uma delas é a tal história da "minha carreira".
Sem querer ser purista ou chata, mas a palavra carreira faz referência a algo que tem uma extensão, uma duração. O próprio dicionário (fui lá ver) fala em "curso", "trajetória" e afins.
Então, que sentido tem uma pessoa que acabou de aparecer na tv - fruto de muitos e muitos programas que se especializaram ultimamente em quinze minutos de fama - que sentido tem uma pessoa assim dizer que tem uma carreira????
Até ontem, era uma menina bonita, depois virou modelo e atriz; até ontem, era um moleque de favela, aí virou rapper, até ontem era namorada de jogador de futebol, depois virou apresentadora de tv, até ontem era um universitário, aí virou estrela de reality show... e por aí vai.
Não estou negando talento, beleza ou potencial - mas gente assim ainda tem que resistir a uma prova muito séria, que a do tempo.

Só o tempo e o amadurecimento é que produzem uma carreira de fato. O resto é mera "curiosidade".

Existem pessoas que, a despeito de serem grandes talentos, não conseguiram desenvolver em torno de si aquele "algo mais" que extrapola o sentido que deve ter uma figura pública, especialmente quando se trata de atores e atrizes. Às vezes vejo mais tempo por semana o rosto de uma certa atriz do que o de minhas irmãs...
Então acho que posso me questionar o que essa pessoa tem algo a oferecer além da exposição exaustiva de sua imagem.
Para deixar bem clara minha idéia, vou citar um ator que, para mim, representa o sentido da palavra "carreira".
Falo de Carlos Vereza.
Com relação a ele, podemos falar de talento. Um talento exuberante, aliás, que consegue roubar a cena em qualquer papel que faça. Carlos Vereza tem aquele magnetismo forte, que prende a atenção. Podemos falar de inteligência - mas um tipo de inteligência posicionada - politicamente, religiosamente. É uma inteligência comprometida. Já vi gente inteligente na tv, isso tem sim, mas parece que existe um "medo" do comprometimento, um receio de levar "bronca" ao se dizer "é assim que penso". Ele não faz isso. Quando assito ao seu trabalho, quando Carlos Vereza aparece na tela, sei que existe algo que vai além da "qualidade profissional". Existe "qualidade de pessoa" transparecendo de forma bem concreta. Em torno da figura dele, gravita (parafraseando mal o poeta, rs)um não-sei-quê que nasce não sei onde, vem não sei como e fica, não sei por quê.
Sinto tanta falta de mais gente assim na televisão...

Nossa Senhora do Photoshop



Não daria para deixar de estampar uma foto da Juliana Paes e suas celulites aqui no blog.
Vou dormir mais tranquila hoje... uf!

Viver para ver

A piada de ver a Globo e a Record se digladiando por trás dos seus "jornalísticos" só pode ser traduzida por aquela expressão que faz referência ao roto falando do esfarrapado.
Vamos combinar 1 - sem ingenuidade, que isso não ajuda ninguém.
Vamos combinar 2 - pagamos pela ilusão da novela e pela ilusão do culto. Isso é questão de opção.

Citando Marcelo Nova: "Isso... isso é só o fim."

WOODSTOCK 40 ANOS

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Monalisa in fire!!!!

Uma vez, quando eu era pequena, eu tentei fazer uma "receita surpresa" para minha avó. Mas na hora de ir ao forno o negócio desandou e ficou uma meleca. Quando a velha chegou da igreja e viu aquela gororoba, tomei a maior catracada. Ainda tentei argumentar que aquilo... poderia ter uma salvação. Aí ela disse uma frase que, para mim, foi célebre:
- Também! Com esses ingredientes!
Ela se referia ao leite condensado que eu tinha colocado na receita... e que foi para o lixo, junto com o resto.
Mas essa "sábia lição" trazia muita "sabedora" por trás. De modo simplificado: tem gente que consegue, sim, pegar excelentes ingredientes e fazer cada porcaria absolutamente inimaginável.
E tem uns aventureiros - eu me incluo no grupo - que conseguem fazer pior: achar que a gororoba tem salvação!
Isso tudo é para falar de um filme.
O nome é Equilibrim. Nos ingredientes estão ninguém menos que Christian Bale e Sean Bean. A história é de uma sociedade que, para resolver seus problemas, obriga seus cidadãos a ingerir uma droga que inibe os sentimentos - tanto os bons quanto os ruins. O discurso é de que os sentimentos motivam as desgraças - e os que não concordam (os "rebeldes") vão para o paredão, sob uma chuva de balas.
Que tal? Você assistiria?
Bem, eu fui nessa... (Detalhe sórdido: o slogan do filme é "Esqueça Matrix!".)

O filme... bem... melhor não gastar adjetivos.
Mas...mãããããsssss... toda gororoba tem seu leite condensado!

No filme, tudo o que é relacionado à arte e à estética, ou seja, o que pode lembrar sentimentos, é sumariamente destruído (mais chuva de balas). E os tais rebeldes são protetores dessas obras - livros, filmes, discos, quadros e tudo mais.
Nas cenas iniciais, mostra-se um ataque a uma "fortaleza" cheia de rebeldes e a caça às obras que eles escondiam. E num desses buracos, está a Monalisa...
Bem, pelo título do post já dá para ter uma idéia do que acontece.
Vou colocar o início do filme, mas já adianto que quem gosta de qualidade em cinema, não deve gastar tempo com o resto. Se não quiser ver o início todo, que tem quase dez minutos, vale a pena ver o trecho que eu citei, que vai do 6:00 até 7:15.

Lei antifumo 2


A impressão que dá é que ela veio para ficar, apesar de muita gente torcer o nariz.
Ontem, pela primeira vez, fui a um barzinho aqui em Caçapava após a lei entrar em vigor e quase não acreditei: o lugar tinha ar respirável!!!! Música boa, uma cerveja gostosa e ar limpo.
Tudo de bom!